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retalhos e recortes da vida de uma cota relativamente atenta
Desta vez, foi a forma do boião, mais a cor e textura do conteúdo, coroados pelo nome da iguaria...
Como sugeriam queijos de pasta mole ou curados, de ovelha ou de vaca, apeteceu-me Caprice des Dieux. E lá fui para o super.
E, para aliviar a má consciência, trouxe também um Cheddar com valor baixo de gorduras e rico em Omega3...
Depois, lembrei-me de como gostara do Bresse Bleu com pão de limão... Devia combinar bem com as «lágrimas».
Ao lado, havia um Bavaria Blu que também não devia ir mal.
Um dia não são dias, caramba, e aquele paté de cogumelos estava a chamar por mim... Partindo do princípio de que os porcos que no-lo legaram tiveram uma vida feliz e uma morte indolor, lá pedi uma tira.
Não, o lugar das bicas não estava a cair aos bocados. Não, os canos não são em ouro. Não, o que corre não é vinho. Sim, algumas pessoas continuavam a usar o tanque para lavar roupa e, tanto quanto sei, não corriam perigo. Sim, está um bocadinho mais bonito - sobretudo a cobertura. Sim, estou disposta a fazer o mesmo trabalho por metade do preço...
As mesas já estavam postas...
Tinha até direito a fotógrafo, que prontamente começou a apontar a objectiva para as bicas, apanhando-as de diversos ângulos (eu cá, escolhi um picado).

Quando passou um par dos muitos estudantes trajados que salpicavam a cidade de cartolas e bengalas coloridas. Achei que seria um bom ângulo para fotografar, posto que não se viam os rostos:
Mas um dos cavalheiros que se encontrava na esplanada por trás, talvez pensando que era a ele que eu queria fotografar, brindou-me com uma mímica conhecida, acompanhada por uma banda sonora bem portuense (na pronúncia, quero eu dizer, embora se diga que o conteúdo também é típico de lá). Ou talvez ele quisesse que eu o fotografasse. E eu fiz-lhe a vontade...

Bem, talvez os mais inteligentes consigam perceber o que é um homicídio gay, posto que, para que melhor se entenda, o jornalista fez o favor de dar outro exemplo:
«Este homicídio, supostamente resultante de desavenças após actos sexuais entre a vítima e o autor, foi o segundo crime do género ocorrido no espaço de três dias em Portugal. Na terça-feira, em Carriço, Pombal, um manobrador de máquinas atou e amordaçou o companheiro, com quem vivia, e de seguida abateu-o com dois tiros de pistola.»
UF! Pelo menos fiquei a saber que um homicídio gay não é atirar gasolina para cima de uma pessoa e atear-lhe fogo. Também pode ser com pistola.
E fiquei a saber outra coisa: os gays não dão socos nem chapadas, nem pontapés: isso não é suficientemente violento para um gay, a julgar pelo discurso deste iluminado jornalista: «Embora em Portugal não existam estatísticas sobre violência doméstica entre casais do mesmo sexo, os crimes que envolvem homossexuais, quase sempre, [são]revestidos de grande violência.».
Mas o homem é parvo, ou faz-se?! Então se na maior parte das vezes ninguém sabe dos socos que os maridos dão às mulheres (ou vice-versa), porque se iria saber da violência que ocorre no seio dos casais do mesmo sexo?
Mas, desejoso de nos manter informados, o jornalista aponta outro caso «recente»: «No início da década de 1990, os ciúmes levaram um homem a atear fogo ao namorado, a metê-lo numa mala de viagem e a lançá-la para o café decrépito e há muito encerrado na retaguarda da Fonte Luminosa, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.».
Ora aí está: quando um homem imola uma mulher ou vice-versa, tem o decoro de não a/o atirar para um café decrépito. Francamente! Um café decrépito e, sublinhe-se, « há muito encerrado na retaguarda da Fonte Luminosa, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.»! É mesmo coisa de gay!
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A boa notícia é que houve comentadores que se insurgiram contra este mau exemplo de jornalismo.
A má notícia são os outros comentadores...